7 anos de trabalho!! 23 anos de Umbanda!!

Bom dia!! Ontem foi um dia bastante especial para mim! Completei 7 anos de Filha de Branco, ou filha de santo como chamam em alguns lugares. Posso dizer que externamente nenhum “BUM” aconteceu ou portal se abriu… mas internamente tudo isso e mais um pouco vem acontecendo a cerca de 3 meses; muitas mudanças em minha coroa e principalmente conscienciais. Sempre tive um prazer imenso em aprender e inclusive repassar aquilo que aprendi. Mas ultimamente o meu estudo tem sido direcionado e focado  pelas minhas entidades. Uma necessidade urgente de se aprender determinados assuntos, de visualizar determinadas situações para poder entender um pouquinho a respeito da criação divina. Recomendo a todos que tenham sentido essa necessidade urgente que atendam pois é altamente gratificante.
Nesses meus 7 anos como filha de branco aprendi muito, escutei muito, falei muito também… aprendi por meios diversos a muitas vezes ouvir mais e falar menos pois o “aprender” não pode ser incutido em alguém… deve ser natural… aprendi que é no silêncio de nossas mentes onde nosso sentido gerador nos fala mais alto… é deixando certos “achismos” e opiniões diversas caladas é que conseguimos escutar o mais profundo  ensinamento que a muito estava adormecido.Claro que isso não me fez alguém alheia ao mundo externo, pelo contrário… vejo e ouço de tudo, falo as vezes até quando não era necessário mas aprendi a usar o “filtro”!!Hoje relembro com saudades o primeiro dia que entrei em um terreiro de umbanda… com nove anos de idade eu nada entendia ou sabia sobre aquelas pessoas qua falavam de forma estranha e que de um jeito totalmente estranho pareciam saber mais de mim do que eu mesma… me lembro das vestes claras, do cheiro da fumaça misturado ao cheiro de defumação… fecho os olhos e consigo ver a madeira dos bancos com a tinta branca descascando… a cortina de palha q tinha bem baixinha presa no teto… me lembro da Dona Dadá… lembro de ter meu pai e meu irmão ao meu lado… lembro do boiadeiro que me atendia e que eu fervorosamente pedia para ir bem nas provas da escola kkkkk. São muito doces as lembranças e vou conservá-las assim… puras e livres de qq estigma sobre certo, errado, conceitos ou práticas.

Depois conheci por intermédio da minha Tia: o terreiro do Tupiguara… nossa sem palavras para tudo que vivi ali… ainda estava na adolescência e ainda não tinha a noção da dimensão da religião que estava ali sendo executada… mas com certeza tinha achado o meu lugar… o lugar a qual eu sempre pertenci a UMBANDA. O caboclo que era meu “pai” era o Caronoiô… sinto a presença dele no meu caminho até hoje, a tudo que faço peço sua benção pois aprendi com minhas entidades que um filho jamais deixa de sê-lo mesmo que mil anos se passe… e assim o conservo como um pai =). A vida toma diversos caminhos e num desses caminhos nem sempre com final feliz meu pai na carne veio a falecer e com ele um pouco de mim…, me afastei do terreiro mas o terreiro nunca se afstou de mim e alguns anos mais tarde nos reencontramos e o cavalo do Tupiguara ja não estava mais em terra… seu filho junto ao caboclo Araitã assumiram o legado e assim nunca mais sai do terreiro, passei por diversas transformações em minha vida mas a semente do amor a religião ja tinha germinado… meu irmão ja era um Filho de Branco ali dentro…o terreiro também passou por diversas mudanças e o caboclo Caronoiô não estava incorporado mais ali…  e assim ganhei meu segundo pai espiritual: “Sete Pedreiras” confesso que além dele também me considerava filha do Araitã pois sempre ia onde eu estava trazendo sua palavra amiga e suas bençãos. Enfim em um sábado de Aleluia no dia 15 de Abril de 2006 fui convidada a presentear os Orixas com flores junto com mais algumas pessoas da assistência… entramos em um local que mais tarde fui conhecer como “Casa de Santo” (muito usado em terreiros de candomblé e umbandomblé) e depositamos nossas flores… depois eu e mais 4 colegas de assistencia fomos convidados a entrar no terreiro para participar de perto das festividades do dia… foi um momento único, senti as energias correndo por entre os mediuns… ver a unidade entre as entidades era um presente…. e quase ao fim dos trabalhos em meio a um discurso cheio de emoção o caboclo Araitã informou a todos os presentes que seu cavalo iria se afastar da dirigência do terreiro por diversos motivos pessoais que não cabem a mim escreve-los aqui… e assim ele apresentou o caboclo Sete Pedreiras como seu substituto nessa caminhada… e apontou a mim e aos meus outros 4 colegas como sendo os mais novos integrantes de sua tribo… jamais vou esquecer essas palavras e o que senti naquele momento… foi como se tudo que ja tivesse passado em minha vida tivesse sido uma preparação para aquele dia… um sentimento de que eu jamais esquecerei mesmo q se passem mil anos e mil vidas…

Depois disso outras várias mudanças… o nascimento da tribo do Sete Pedreiras e o começo de muito aprendizado… aprendi demais e ganhei uma mãe… cabocla Jandira do Mar… uma avó a Vovó Rita…. e assim aprendi não só a amar a religião mas tudo o que esta por trás desse amor, o respeito, a atenção, o saber ouvir e o saber falar… aprendi a ser cambona, aprendi a ser filha de branco… devo demais a esses mentores dessa casa, tanto aos espirituais como os médiuns. Chegou o momento de desenvolvimento e em 09/07/2008 fomos para o passe e em 01/04/2009 para a mironga (aqui eu conto direitinho como foi).

Mais mudanças e o plano astral nos faz mudar sempre que necessário… e assim nasceu uma nova casa… um novo terreiro… ganhei meu quarto pai: caboclo Rompe Mato… o caboclo do meu irmão… e até hoje aprendo um pouquinho mais e mais…

Em sete anos eu tentei ser o melhor que pude em tudo que me propus fazer e sou consciente que nem sempre conseguimos esse intento com sucesso… mas tenho dentro de mim uma gratidão impar a todos meus pais e mães espirituais… sei que jamais irão falhar em seu amor por mim e estarão junto de mim em toda minha caminhada…

Então esse texto queria dedicar a vocês… meus mestres espirituais e encarnados por terem me ensinado muito e estarem ao meu lado me ajudando em cada passo!!! A vocês dedico todo meu amor, respeito e gratidão!!

Saravá!! Axé!! Salvada seja a Umbanda!!!

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Uma resposta para 7 anos de trabalho!! 23 anos de Umbanda!!

  1. Fernando Madruga disse:

    Pisar em solo firme depois de vários anos de caminhada e aprendizado é um dos maiores presentes que Olurum poderia nos dar..
    Aprender e ter certeza de que nossos passos e conceitos foram forjados com com amor e serenidade, as vezes com a força de Iansã, as vezes com a paciência dos Pretos Velhos é único…
    Só posso pensar em agradecimento por fazer parte dessa grande familha que o astral colocou em nossos caminhos..
    Saravá..!!!

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